sábado, 12 de dezembro de 2009

Platão - Dualismo Psicofísico

A concepção platônica do homem se inspira em forte dualismo entre alma e corpo, segundo REALE, "Platão introduz, além da participação metafísico-ontológica, a partição do elemento religioso derivado do Orfismo, que transforma a distinção entre alma (=supra-sensível) e corpo (=sensível) em oposição. (2004, p.152)."

Todo homem possui um corpo e uma alma. O que há de mortal no homem foi criado pelos astros divinos, preparando seu corpo para receber a alma imortal, criada pelo Demiurgo. No entanto, “o ser real e realmente imortal que somos, chama-se alma.” (Leis, XXI, 959 b). A alma constitui o homem e comanda o corpo, a fim de buscar sempre o melhor, já que o corpo é mortal e não conhece o Bem.

O amor próprio é a fonte de nossos erros, ele não nos permite admitir que erramos, ele também possui o poder da destruição, quando não se permitindo conhecer a verdade suprema, insiste em tentar impor sua própria verdade.

Platão afirma que quando a alma comete uma maldade, está prejudicando a si própria. Ela receberá a punição em um tribunal intermediário, onde seus erros estarão visíveis, pois a alma se transforma com suas faltas. O castigo que lhe será concedido agirá como um espelho, provocando reflexão e correção.

Ao contrário das almas más, que após a morte de seu corpo renascerá em outro, a alma que se ocupar com a filosofia, com o conhecimento e com a justiça, receberá a recompensa de contemplar as verdadeiras Formas e não mais precisará conviver com as cópias. São as próprias almas que escolhem sua condição em um momento denominado instante crítico, quando determinam à maneira que irão viver. Somente um deus poderia distribuir as almas aos corpos corretamente, se o homem for justo, tudo pode ser modificado e corrigido durante sua nova vida, pois a alma é independente da razão.

Quando Demiurgo criou as almas, deu a elas qualidades diferentes, mas todas possuíam o senso de Bem. Quando elas se unem ao corpo, grande parte opta pela injustiça e seguem o caminho errante, até que o circuito se complete, quantas vezes necessárias para que a alma se torne boa e justa. Outras escolhem o caminho do Bem, é exatamente na escolha que as almas se diferenciam umas das outras, pois "aquele que se aplicou ao amor do saber e aos pensamentos verdadeiros e que exerceu, antes de tudo, esta parte de si mesmo, obterá imagino, com toda necessidade, pensamentos imortais e divinos, se conseguir entrar em contato com a verdade, e na medida em que a natureza humana pode participal da imortalidade, será cumulado dele; porque ele rende, sem cessar, um culto à dinvidade. (Timeu, 90 b-c)."

Sendo a alma humana dividida em duas partes: a do Bem e a errante. Buscamos o conhecimento para melhorar o que amamos e também para nos igualar, até mesmo superar o que julgamos ter mais valor. Contudo a parte errante faz com que nosso egoísmo queira impor a nossa vontade até mesmo aos deuses.

Portanto, todas as almas têm um lugar no universo como um todo. A alma depende da razão, que não é concebida de uma só vez, mas ao longo da vida, e também não se perde por completa, pois o ser errante tem várias chances de adquiri-la em suas vidas posteriores, sendo que são as próprias almas que devem buscar o Bem, ultrapassando as tentações da ignorância e do vício, que as fazem ficar presas ao corpo.


Referência: REALE, Geovanni. História da Filosofia. 1. vol. 2. ed. São Paulo: Paulus, 2004.

Bioética

http://www.youtube.com/watch?v=UuJT3M9ApWQ&feature=related

Augusto Comte - A Lei dos Três Estados

A filosofia da história, tal como a concebe Comte, é de certa forma tão idealista quanto a de Hegel. Para Comte "as idéias conduzem e transformam o mundo" e é a evolução da inteligência humana que comanda o desenrolar da história. Como Hegel ainda, Comte pensa que nós não podemos conhecer o espírito humano senão através de obras sucessivas - obras de civilização e história dos conhecimentos e das ciências - que a inteligência alternadamente produziu no curso da história. O espírito não poderia conhecer-se interiormente (Comte rejeita a introspecção, porque o sujeito do conhecimento confunde-se com o objeto estudado e porque pode descobrir-se apenas através das obras da cultura e particularmente através da história das ciências. A vida espiritual autêntica não é uma vida interior, é a atividade científica que se desenvolve através do tempo. Assim como diz muito bem Gouhier, a filosofia comtista da história é "uma filosofia da história do espírito através das ciências".

O espírito humano, em seu esforço para explicar o universo, passa sucessivamente por três estados:

a) O estado teológico ou "fictício" explica os fatos por meio de vontades análogas à nossa (a tempestade, por exemplo, será explicada por um capricho do deus dos ventos, Eolo). Este estado evolui do fetichismo ao politeísmo e ao monoteísmo.

b) O estado metafísico substitui os deuses por princípios abstratos como "o horror ao vazio", por longo tempo atribuído à natureza. A tempestade, por exemplo, será explicada pela "virtude dinâmica"do ar. Este estado é no fundo tão antropomórfico quanto o primeiro ( a natureza tem "horror" do vazio exatamente como a senhora Baronesa tem horror de chá). O homem projeta espontaneamente sua própria psicologia sobre a natureza. A explicação dita teológica ou metafísica é uma explicação ingenuamente psicológica. A explicação metafísica tem para Comte uma importância sobretudo histórica como crítica e negação da explicação teológica precedente. Desse modo, os revolucionários de 1789 são "metafísicos" quando evocam os "direitos" do homem - reivindicação crítica contra os deveres teológicos anteriores, mas sem conteúdo real.

c) O estado positivo é aquele em que o espírito renuncia a procurar os fins últimos e a responder aos últimos "por quês". A noção de causa (transposição abusiva de nossa expeirência interior do querer para a natureza) é por ele substituída pela noção de lei. Contentar-nos-emos em descrever como os fatos se passam, em descobrir as leis (exprimíveis em linguagem matemática) segundo as quais os fenômenos se encadeiam uns nos outros. Tal concepção do saber desemboca diretamente na técnica: o conhecimento das leis positivas da natureza nos permite, com efeito, quando um fenômeno é dado, prever o fenômeno que se seguirá e, eventualmente agindo sobre o primeiro, transformar o segundo. ("Ciência donde previsão, previsão donde ação").

Acrescentemos que para Augusto Comte a lei dos três estados não é somente verdadeira para a história da nossa espécie, ela o é também para o desenvolvimento de cada indivíduo. A criança dá explicações teológicas, o adolescente é metafísico, ao passo que o adulto chega a uma concepção "positivista" das coisas.

Mafalda


Psicanálise

http://www.youtube.com/watch?v=aR8antI8mBo&feature=PlayList&p=F05C1747FEB0F211&playnext=1&playnext_from=PL&index=15

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A Filosofia Grega


Filosofia é a arte que busca conhecer racionalmente a natureza, o ser humano, o universo e as transformações que neles ocorrem. Entende-se por filosofia grega os períodos que existiram antes e depois de Sócrates, sendo eles: Período pré-socrático, Período socrático, Período sistemático e Período helenístico.

O período pré-socrático ou cosmológico foi caracterizado pela physis (natureza) que buscava entender racionalmente a origem e as transformações ocorridas na natureza ao longo do tempo para também dessa forma entender o que de fato ocorreu com o ser humano. Nesse período se destacou Tales de Mileto.

O período socrático ou antropológico foi marcado pela democracia que dava igualdade a todos nas polis (cidades) dando direito à participação no governo e ainda pela mudança na educação grega já que as pessoas precisavam saber falar e induzir as demais.

O período sistemático marcado pela atuação de Aristóteles que introduziu todo o saber inespecífico para que se conhecesse todas as coisas que abrangesse vários princípios e várias formas do pensamento, o que recebeu o nome de lógica.

O período helenístico foi marcado por seu aparecimento após a decadência política das polis e pelo aparecimento de doutrinas que além de trabalhar com a natureza e a lógica, buscavam enfatizar a felicidade e a ensinar formas de dirigir a vida.

Em tais períodos houve filósofos de atos destacados como: Sócrates que fundou a filosofia humanista, Platão como seguidor de Sócrates fundou a Academia de Atenas e Aristóteles que considerado o maior filósofo sistematizou a lógica e vários outros conhecimentos como metafísica, moral e política.

O que é um Mito?

Quando estudamos a trajetória dos seres humanos, desde os tempos mais remotos, percebemos que eles sempre se preocuparam em buscar explicações sobre as origens, sobre o sentido da vida, da morte... e dos acontecimentos aparentemente inexplicáveis que ocorrem à sua volta.

O homem primitivo habitava um mundo que ainda não compreendia e tinha de se defrontar com fatos e fenômenos que lhe causavam medo. Para torná-los compreensíveis e, conseqüentemente, afastar o temor e a insegurança, desenvolveu uma espécie de linguagem interpretativa, o mito, que explicava o mundo de forma alegórica ou poética, atribuindo a origem de tais fenômenos a deuses ou a seres que transcendiam os limites humanos. O mito pode ser definido, assim, como uma história sagrada, simbólica, que dá ao homem condições de se apropriar do mundo e modela comportamentos. Dessa forma, contribui para a perseverança da cultura.

Por meio do sobrenatural, do transcendente, os povos primitivos tinham condições de lidar melhor com a realidade, situando-se de forma espontânea no mundo. As várias culturas trazem mitos sobre a origem do mundo, da tribo, do homem, dos vegetais, dos animais, da alegria, da dor, etc.

Homens de todos os tempos recorreram aos mitos para transmitir a experiência do sagrado, do divino. Apesar de não se orientarem por um raciocínio lógico, essas narrações simbólicas são uma forma metafórica de transmitir conhecimentos que vão além das categorias do pensamento, mas são fundamentais para a sobrevivência do ser humano em meio a um mundo hostil. A mitologia baseia-se na crença de que existe um nível invisível, desconhecido por nós, que sustenta o que é visível. Os mitos nos abrem a dimensão do mistério do Universo.

Uma vez que não somos apenas razão, importante compreendermos a função exercida pelos mitos em nossas vidas. Tal conhecimento nos dará possibilidade de ter uma visão mais ampla da realidade humana.

A leitura apressada, na busca do sentido do mito, pode nos levar a pensar que se trata apenas de uma maneira fantasiosa de explicar a realidade ainda não justificada pela razão. Essa compreensão do mito não esconde o preconceito comum de indendificá-lo com as lendas ou fábulas, e portanto como uma forma menor de explicação do mundo, prestes a ser superada por explicações racionais.

No entanto, a noção de mito é complexa e mais rica do que essa posição redutora. Mesmo porque o mito não é exclusividade de povos primitivos, nem civilizações nascentes, mas existe em todos os tempos e culturas como componente indissociável da maneira humana de compreender a realidade.

Os contos de fada, as histórias em quadrinhos, sem dúvida nenhuma trabalham com o imaginário e mitos universais como o do herói e o da luta entre o bem e o mal. Examinando as manifestações coletivas no cotidiano da vida urbana, descobrimos componentes míticos no carnaval, no futebol, ambos com manifestações delirantes do imaginário nacional e da expansão de forças inconscientes.

Podemos ainda nos referir a um artista famoso como um mito: James Dean como o mito da "juventude transviada" ou, então, Marilyn Monroe ou Madonna como mito sexual. A lista possível das conotações diversas que o mito assume não termina aqui. Apenas quisermos mostrar como um conceito tão amplo e rico não se esgota numa só linha de interpretação.

O mito não é resultado de delírio, nem uma simples mentira. O mito ainda faz parte da nossa vida cotidiana, como umas das formas indispensáveis do existir humano.
http://www.youtube.com/watch?v=etvdr-cjrx8

HAIDDEGGER

De que forma o nada se desvela ao único ente que interroga a si mesmo, o homem.
O presente trabalho tem por finalidade apresentar de forma objetiva e clara o pensamento de Heidegger. A presente contribuição filosófica se apresenta em um caráter pós-metafísico, tendo como principal problema a ser desenvolvido o ato dos entes aprecerem de alguma forma a realidade sensível. Em um segundo momento tem por objetivo desenvolver uma reflexão da importância dos entes no que se refere à pesquisa científica, em sua particularidade se apresentando como objeto de estudo da própria ciência. Partindo dessa reflexão a respeito do ente, se faz necessário nos perguntarmos pelo campo que possibilita o aparecimento de alguma forma desse ente, ou seja, ao aparecer um determinado ente, se faz oportuno perguntar por meio de uma reflexão filosófica o que possibilitou essa apresentação do ente a uma realidade sensível.
Esses questionamentos apresentados no decorrer da presente discussão a respeito da manifestação desse elemento que possibilita o aparecimento do ente ou como podemos entender a interrogação pelo nada em uma realidade perceptível aos nossos olhos tendo como seu receptor o único ente que interroga a si mesmo, ou seja, o próprio homem e os demais entes que se caracterizam como uma coisa que estar no mundo de alguma forma. Nesse sentido o questionamento central abordado na presente reflexão filosófica se apresenta pelo modo em que o nada, ou seja, esse elemento que possibilita o aparecimento de todos os demais entes se apresenta ou se faz presente no único ente que se interroga se fazendo presente também nos demais entes.
Diante da presente problemática que deve ser desenvolvida no decorrer do texto, apontando assim as principais concepções apresentadas por Heidegger, se faz necessário entendermos de forma objetiva o que se pode entender por ente. O termo ente classifica todas as coisas que de uma forma ou de outra estar presente em uma realidade sensível e perceptível aos nossos olhos e aos nossos sentidos, ou seja, qualquer coisa que é, ou usando o termo de Heidegger, que estar aí de alguma forma. Essas coisas que são apresentadas não se limitam ao campo empírico ou concreto, ou seja, ao modo físico de estar no mundo, mas, abrange a toda categoria de coisas que de uma forma ou de outra existe, seja físico ou não, ou seja, se existe de alguma forma, seja por meio do pensamento ou por de algo concreto.
A segunda contribuição que faz necessário saber a respeito do ente é que pelo fato desse ente existir de alguma forma, seja por meio do pensamento ou por meio de algo concreto, não há uma hierarquia dessas coisas, ou seja, uma não se privilegia sobre a outra. Esse privilégio não é atribuído a essas coisas, pois, da mesma forma que se possibilitou a existência de uma determinada coisa, se possibilitou o aparecimento das demais, ou como podemos entender não há uma coisa mais importante que a outra, pois, o fato de estar no mundo, não se apresenta o direito de uma se destacar em relação à outra. Nesse sentido podemos postular na filosofia de Heidegger que não há nenhum valor moral, ou seja, não se mostra ao ente nenhum juízo de valor como bem, mal, pois, não se apresentando de uma forma hierárquica o seu pensamento se preocupa apenas em demonstrar a forma que essa coisa se constitui no mundo atribuindo assim valor ao mundo, pois, o mundo tem sentido, e se apresenta como mundo, pelo fato das coisas apresentarem sentido ao mundo sensível, ou como podemos entender a uma realidade sensível.
Diante dessa compreensão a respeito do ente no mundo, Heidegger apresenta a importância desses entes para a pesquisa científica. Esses entes são postulados como objetos de estudos da ciência que é desenvolvida por meio de uma pesquisa que possibilita em seus resultados e conclusões o desenvolvimento dos diversos campos do saber. Uma contribuição que se faz necessário desenvolver é que esses objetos de estudos, ou seja, os entes que estão sendo estudados e analisados em seu caráter científico por um ente que se distingui dos outros pela sua capacidade de se auto questionar, ou como podemos entender, de interrogar a si mesmo e os outros entes que são objetos de estudos da ciência. Nesse sentido podemos compreender que se faz necessário que se tenha um ente que auto se interroga, ou seja, o homem em suas capacidades racionais para que os demais entes possam desenvolver com eficácia a sua objetividade dentro do campo científico
É importante lembrarmos que não se apresenta uma hierarquia pelo fato de o homem poder pensar a si mesmo, perpassando assim a uma reflexão filosófica e científica do mundo em que vive, mas, se postula uma diferença necessária entre esse ente que auto se interroga e os demais entes. É por meio dessa diferença que se torna possível, não apenas uma produção no mundo em seus aspectos científicos, culturais e pessoais, pois, se não tivesse a possibilidade de uma atividade do pensamento por meio do homem seria impossível uma produção nos diversos âmbitos apresentados aos nossos olhos de uma forma lógica e coerente.
Diante dessa distinção entre o ente que apenas se apresenta de alguma forma ao mundo sensível e ao ente que auto se interroga, ou seja, o homem em sua capacidade de auto questionar-se a si mesmo e ao mundo, ou como podemos entender atribuindo sentido ao mundo, não apenas porque se fazem presente como tantos entes que compõem o mundo físico, mas, também porque tendo o homem essa capacidade de se auto interrogar a si mesmo, tendo assim a possibilidade de mudar e de atribuir novo sentido de mundo por meio dos diversos campos que nos são possíveis, assim como a cultura e a sociedade. Nesse sentido os entes que são entendidos como uma coisa que está aí no mundo, juntamente com o ente que auto se interroga se relacionam entre si, promovendo assim uma interação direta entre esses campos que tem por finalidade o desenvolvimento do saber, possibilitando assim ao homem a oportunidade de atribuir novos sentidos de mundo.
Nesse sentido Heidegger apresenta uma crítica à ciência que consiste em apenas visar à importância do ente, se esquecendo assim do elemento que possibilita o aparecimento dessa coisa ao mundo, que no pensamento de Heidegger se postula como sendo o ser ou o nada. Segundo o filósofo alemão a ciência se utiliza dos entes para desenvolver seus estudos a fim de postular uma contribuição para a sociedade. Diante dessa insistência pelo ente, ou seja, pela coisa que estar aí de alguma forma e até pelo objeto de estudo da própria ciência, pois, como podemos apresentar o seguinte exemplo: Um matemático para desenvolver uma determinada teoria deve ter como ente de sua contribuição cientifica, os próprios números que de certa forma apontam o desenvolvimento de uma teoria que pode ter uma grande contribuição para o futuro da sociedade em diversos aspectos. Notaremos que a importância do ente, seja em que campo estiver sendo aplicado e analisado é muito importante, pois, demonstra de certa forma a sua utilidade, no entanto, Heidegger em sua filosofia questiona a existência desses entes seja, tendo apenas a constituição de uma coisa em si, ou seja, um objeto que está no mundo aí, ou o ente interrogativo, ou seja, o próprio homem.
Em sua filosofia Heidegger questiona como esses entes podem estar no mundo, ou seja, como esses entes se apresentam ao mundo, permitindo assim que o mundo tenha um sentido próprio e originário. Nesse sentido o filósofo alemão postula que há o ente para se constituir como coisa no mundo aí, ou seja, para que possa estar no mundo sensível, sendo assim visível aos nossos olhos, se faz necessário que o ente se apresente ou se faça no mundo por meio do ser, ou como podemos entender por meio da diferença, ou como podemos entender, é por meio da diferença de tantos entes que existe que se faz possível o aparecimento de um determinado ente. Essa diferença estar no fato que um ente não se apresenta, ou seja, não é em seu sentido originário, ou seja, o ser se manifesta de forma diferente em todos os entes. Essa diferença é que faz com que um determinado ente apareça diferentemente de outro em diversos campos e sentidos do mundo.
Esse ser que se mostra ao ente, possibilitando assim o aparecimento do ente no mundo sensível, Heidegger também postula como sendo o nada. Esse termo não deve ser entendido como algo negativo ou como algo que nega o próprio ente, mas, como a diferença do ser que possibilita o aparecimento do ente ao mundo sensível. O nada pode ser entendido como o não ente. Esse não ente como já foi mencionado possibilita o aparecimento de entes, pois não sendo ente, possibilita o aparecimento do ente por meio desse nada ou por meio do ser. Nesse sentido podemos entender o ser ou nada como o elemento possibilitado que possibilita o aparecimento do ente em seu sentido originário.
Lembremos que temos dois tipos de ente, ou seja, duas formas originárias do mundo ter sentido. A primeira é por meio dos diversos entes que se apresentam ao mundo sensível, ou seja, a forma pela qual o ente se faz no mundo, ou como podemos entender a coisa que está no mundo aí, ou seja, de uma forma se fez presente no mundo por meio do ser que desvelou esse determinado ente a realidade sensível. A segunda forma é por meio do ente interrogativo, ou seja, o próprio homem que ao se interrogar, atribui sentido a si e as outras pessoas. O ser ou como podemos entender o nada se mostra em diferentes aspectos a esses dois entes. A primeira forma o nada se mostra por meio da coisa que estar aí no mundo de alguma forma, no entanto, a questão central que deve ser respondida é de que forma o nada ou como podemos entender o ser se mostra ou se desvela ao segundo ente que se interroga a si mesmo, interrogando assim e atribuindo sentido aos outros entes que funcionam como objetos de estudo da própria ciência e do próprio mundo, ou seja, ao próprio homem.
O nada se mostra por meio da angústia que é transmitida ao ente interrogativo. A angústia que nos é mostrada tem por finalidade a perca do controle de uma determinada situação em que o ente interrogativo esteja vivenciando, pois, tem por finalidade postular um retrocesso do próprio ente, ou seja, o homem não tem mais controle da situação em que vive. Essa angustia não deve ser entendida como um elemento ou como uma atividade psicológica, ou como podemos entender não se apresenta como sendo uma simples tristeza ou descontentamento, mas, essa angústia deve ser entendida em seu campo originário como sendo a finitude do próprio ente, pois, Heidegger em seu pensamento a respeito do aparecimento do ente por meio do ser ou do nada, visa a finitude do próprio ente que sendo no mundo, não se restringe em caráter eterno, ou seja, o fato do ente interrogativo e não apenas do ente que auto se interroga, mas, de todos os demais entes estarem no mundo. Esse fato não significa que eles não sejam finitos, pois, a filosofia de Heidegger apresenta exatamente esse caráter de finitude, pois, segundo o filósofo alemão todos os entes têm um caráter finitivo, ou seja, se apresentaram ao mundo por meio do ser dentro de um espaço e de um tempo, que tem como conseqüência a finitude de todas as coisas.
Diante dos argumentos apresentados acima podemos perceber que há na filosofia de Heidegger um anseio em responder a pergunta pelo o aparecimento do ente por meio do mostrar-se do ser. Nesse sentido percebe que transcendemos ao mundo físico para podemos de fato entender e responder com responsabilidade esse questionamento, pois, o termo ser, não se limita a um campo físico, por mais que amostre por meio do ente em uma realidade sensível, pois, não tem como vermos o ser, tocarmos no ser, ou seja, não há um material empírico do ser, no entanto, sabemos e temos por meio de estudos realizados e por meio de uma reflexão filosófica coerente e lógica que o ser se mostra ou como podemos entender se faz presente por meio do ente. Diante dessa certeza que é proporcionada pela reflexão filosófica de Heidegger, temos a possibilidade de olharmos com olhos metafísicos as realidades que estão inseridas no campo filosófico, no que se refere ao objeto e ao ser humano, não olhando e interpretando de uma forma do senso comum, mas, a filosofia de Heidegger nos possibilita a interpretar de forma crítica e transcendente aquilo que nos cercam, pois, ao nos perguntarmos sobre o sentido de um determinado objeto ou como podemos entender do próprio ente, nos remeteremos de forma metafísica ao elemento que possibilita o aparecimento do ente de forma originária a uma realidade sensível, ou seja, o próprio ser ou o nada.






Referência:
HEIDEGGER, Martin. Que é metafísica? São Paulo: Duas Cidades, 1969. 82 p.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Kant: "o conhecimento é o tesouro da alma"


Para Kant, o ato de filosofar procede de uma avaliação crítica para estabelecer o que de fato a razão pode e o que a razão não pode afirmar. Para Kant é impossível demonstrar "racionalmente" a existência de Deus, mas isso não impede ao ser humano falar de realidades metafísicas com Deus e alma. Kant propõe que busquemos incessantemente conhecer. Encher-se de conhecimento, aprender-se, experimentar, reiventar. Quanto mais conhecemos e absorvemos o que o mundo é, mais preparados seremos para agir, decidir e até mesmo "intuir", que nada mais é o que uma solução prática e sensível, baseada em tuas experiências e conhecimentos.
Priori: é uma expressão filosófica que designa uma etapa para se chegar ao conhecimento, que consiste no pensamento dedutivo. O conhecimento proposicional não pode ser adquirido através da percepção, memória ou testemunho. É, assim, uma anterioridade lógica e não cronológica que é designada na noção "a priori".
Posteriori: refere-se à etapa para se chegar ao conhecimento que é realizada através da experiência. Os defensores de que o conhecimento a posteriori é o único fiável são conhecidos como empiristas. Para eles, julgamentos e conhecimento não podem se subscrever à experiência, o homem não pode conhecer que aquilo que lhe é accessível pela experiência, e antes tudo pela percepção sensorial.
Para Kant, o conhecimento começa com a experiência, mas nem por isso origina-se nela. A partir deste convencimento, Kant procurou sintetizar o Racionalismo e o Empirismo, superando-os com a afirmação de que o conhecimento só existe a partir dos concitos da matéria e forma: a metéria vem da experiência sensível (a posteriori) e a forma é fornecida pelas estruturas do sujeito que pensa ( a priori).

Conhecimento Filosófico

O conhecimento filosófico é racional. Baseia-se na especulação em torno do real, tendo como objeto a busca da verdade. Por isso, diz-se que é uma atitude. Ele é sistemático, mas não experimental. Vai à raiz das coisas e é produzido segundo o rigor lógico que a razão exige de um conhecimento que se quer buscando a verdade do existente.
Nessa investigação, o conhecimento filosófico visa aos "porquês" de tudo o que existe. É ativo, pois coloca o humano à procura de respostas para as inúmeras perguntas que ele próprio pode formular. Exemplos: Quem é o homem? De onde ele veio? Para onde ele vai? Qual é o valor da vida humana? O que é o tempo? O que é o sentido da vida?

CONHECIMENTO

http://www.youtube.com/watch?v=AXzfjQeEjYg

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Cristianismo e Filosofia

A divisão mais profunda da história da filosofia é marcada pelo cristianismo. As duas grandes etapas do pensamento ocidental estão por ele separadas. Mas seria um erro crer que o cristianismo é uma filosofia. É uma religião, coisa muito distinta. Nem sequer se pode falar com rigor de filosofia cristã, se o adjetivo cristão tiver de definir um caráter da filosofia. Só podemos chamar de filosofia cristã à filosofia dos cristãos enquanto tais, isto é, a que está determinada pela situação cristã de que parte o filósofo. Neste sentido, o cristianismo tem um papel decisivo na história da metafísica, porque modificou essencialmente os pressupostos sobre os quais o homem se move, e, portanto, a situação a partir da qual tem de filosofar. Como o homem cristão é diferente, é diferente a sua filosofia, distinta, por exemplo, da grega.
O cristianismo traz uma idéia totalmente nova que confere um sentido à existência do mundo e do homem: a criação. "In principio creavit Deus caelum et terram". É desta frase inicial do Gênesis que parte a filosofia moderna. Vimos como o problema do grego era o movimento: as coisas são problemáticas porque se movem, porque mudam, porque chegam a ser e deixam de ser o que são. O que se opõe ao ser é o não-ser, o não ser aquilo que se é. Desde o cristianismo o que ameaça o ser é o nada. Para o grego não havia o problema da existência das coisas, e para o cristão é isso que é preciso explicar. As coisas poderiam não ser. É a sua própria existência que requere uma justificação, e não aquilo que essas coisas são. "O grego sente-se estranho ao mundo pela variabilidade deste. O europeu da era cristã, pela sua nulidade ou melhor nihilidade". Para o grego o mundo é algo que varia; para o homem da nossa era é uma nada que pretende ser. "Nesta mudança de horizonte ser vai significar uma coisa toto caelo diferente do que significou para a Grécia: para um grego ser é estar aí; para o europeu ocidental ser é, antes de mais, não ser um nada". "Num certo sentido, pois, o grego filosofa já a partir do ser, e o europeu ocidental, a partir do nada" (Zubiri, Sobre o problema da filosofia).
Esta diferença radical separa as duas grandes etapas filosóficas. O problema fica posto de duas formas essencialmente distintas: é outro problema. Assim como há dois mundos, este mundo e o outro, na vida do cristão vai haver dois sentidos distintos da palavra ser, se é que se pode aplicar o nome ser em ambos os casos: o ser de Deus e o do mundo. O conceito que permite interpretar o ser do mundo a partir de Deus é o da criação. Temos por putro lado, Deus, o verdadeiro ser, criador, por outro lado o ser criado, a criatura, cujo ser é recebido. A verdade religiosa é a criação que obriga a interpretar esse ser, pondo o problema filosófico do ser criador e do ser criado, de Deus e da criatura. Deste modo, o cristianismo, que não é filosofia, afeta a filosofia de um modo decisivo, e esta filosofia que surge da situação radical do homem cristão é aquela a que se pode chamar, neste sentido concreto, filosofia cristã. Não se trata, pois, de uma consagração pelo cristianismo de nenhuma filosofia, nem da impossível adesão da religião cristã a nenhuma delas, mas de uma filosofia que emerge da situação capital em que o cristão se encontra: a da sua própria realidade ante Deus. Num sentido lato, isto sucede em toda a filosofia européia posterior à Grécia, e, de modo especial, na dos primeiros séculos do nossa era da filosofia medieval.

Elementos do Conhecimento



1 - O conhecimento é um ato/processo de objetivação. Em sua aparente simplicidade, esta noção nos faz distinguir entre objeto/coisa e objeto conhecido, já que o objeto que acaba sendo conhecido é o resultado do processo de objetivação.
2 - O conhecimento é um processo de constituição objetiva. Noção similar à anterior, da que se distingue pela presença da palavra "constituição". Com isso, chama-se atenção mais o papel do sujeito a cuja atividade se deve a constituição do objeto. Constituição não é criação. A constituição objetiva não é constituição ontológica, não se constitui um ser, mas sim uma significação objetiva.
3 - O conhecimento é a assunção consciente do objeto. É uma definição muito precisa. Equivale dizer que conhecer é ter notícia de um objeto, o qual, certamente, é dizer muito pouco.
4 - O conhecimento é a representação simbólica do objeto. Não confundamos esta noção com a simples noção de representação. Com efeito, a representação é simbólica. O símbolo é a tradução dos dados do objeto/coisa que o sujeito, com seu dinamismo, leva à tona.
5 - O conhecimento é a donação de sentido que o sujeito confere aos dados que lhe apresentam desde o objeto/coisa. O dado desde o objeto converte o sujeito, mediante sua atividade, em uma unidade significativa ou de sentido, já que o objeto é para o sujeito o que significa ou o sentido que o sujeito lhe confere.

ATITUDE CRÍTICA


A teoria do conhecimento deve ser crítica, a atitude com o que devemos iniciar tem que ser uma atitude crítica, ou seja, a atitude crítica é o ponto de partida da teoria do conhecimento. A teoria do conhecimento deve iniciar por uma atitude crítica, uma certa tomada de posição frente ao conhecimento. Trata-se de enfrentar o conhecimento a partir do próprio conhecimento. Esta atitude crítica exige uma esforço reflexivo, porque se trata de enfrentar-se com o conhecimento desde o conhecimento mesmo. Assim, um teórico do conhecimento precisa ir à raíz última da possibilidade do erro e da dúvida, precisa problematizar questões como: o que é o conhecimento? como se origina ou nasce o conhecimento? qual o seu valor? qual é a sua capacidade reveladora do "outro", ou seja, da realidade? Na expressão de Kant: "crítica é o autoconhecimento da razão posta sobre e ante si mesmo. Deste modo, crítica é a realização da racionalidade mais interna à razão". Uma atitude crítica que pretenda enfrentar-se com a objetividade e valor do conhecimento tem que ser uma crítica da inteligência humana e da razão da mesma.

POEMA DO CONHECIMENTO


Se há um indivíduo

Existe um animal;

Se há um sujeito

Existe um sentido;

Se há um sentido;

Existe um pensamento;

Se há um pensamento;

Existe uma idéia;

Se há uma idéia

Existe um discurso;

Se há um discurso

Existe o outro;

Se há o outro

Existe a comunicação;

Se existe a comunicação

Existe a linguagem;

Se existe a linguagem

Existe um signo;

Se existe um signo

Existe o significado;

Se existe o significado

Existe a interpretação;

Se existe a interpretação

Existe o ser;

Se existe o ser

Existe o complexo;

Se existe o complexo

Existe o não-idêntico;

Se existe o não-idêntico

Existe o social;

Se existe o social

Existe a Sociedade

[...]

Conhecimento!

TEORIA DO CONHECIMENTO


A teoria do conhecimento pode ser definida como a investigação à cerca das condições do conhecimento verdadeiro. Compreende tanto as investigações psicológicas sobre a produção e essência do conhecimento humano quanto as investigações crítico-cognitivas a cerca da validade do mesmo. A teoria do conhecimento apóia-se em dois pressupostos: primeiro, que o conhecimento seja uma "categoria" do espírito, uma "forma" da atividade humana ou do "sujeito", que possa ser indagada no universal e em abstrato, ou seja, prescindindo dos processos cognitivos particulares de que o homem dispõe fora e dentro da ciência; segundo, que o objeto imediato do conhecer seja, como o julgara Descartes, somente a idéia ou a representação e que a idéia seja uma entidade mental, isto é, exista apenas "dentro" da consciência ou do sujeito que a pensa. Portanto, a teoria do conhecimento é uma reflexão filosófica sobre o conhecimento tendo como objetivo investigar sua s origens, suas possibilidades, sua fundamentação, sua extensão e seu valor.

TEORIA DO CONHECIMENTO – ARISTÓTELES - CAUSA MATERIAL À CAUSA FINAL


TEORIA DO CONHECIMENTO – ARISTÓTELES - CAUSA MATERIAL À CAUSA FINAL[1]


Apesar de ter sido discípulo de Platão
durante vinte anos, Aristóteles (384-322 a.C.) diverge profundamente de seu mestre em sua teoria do conhecimento. Isso pode ser atribuído, em parte, ao profundo interesse de Aristóteles pela natureza (ele realizou grandes progressos em biologia e física), sem descuidar dos assuntos humanos, como a ética e a política.
Para Aristóteles, o dualismo platônico
entre mundo sensível e mundo das idéias era um artifício dispensável para responder à pergunta sobre o conhecimento verdadeiro. Nossos pensamentos não surgem do contato de nossa alma com o mundo das idéias, mas da experiência sensível. "Nada está no intelecto sem antes ter passado pelos sentidos", dizia o filósofo.
Isso significa que não posso ter idéia de um teiú sem ter observado um diretamente ou por meio de uma pesquisa científica. Sem isso, "teiú" é apenas uma palavra vazia de significado. Igualmente vazio ficaria nosso intelecto se não fosse preenchido pelas informações que os sentidos nos trazem.
Mas nossa razão não é apenas receptora de informações. Aliás, o que nos distingue como seres racionais é a capacidade de conhecer. E conhecer está ligado à capacidade de entender o que a coisa é no que ela tem de essencial. Por exemplo, se digo que "todos os cavalos são brancos", vou deixar de fora um grande número de animais que poderiam ser considerados cavalos, mas que não são brancos. Por isso, ser branco não é algo essencial em um cavalo, mas você nunca encontrará um cavalo que não seja mamífero, quadrúpede e herbívoro.
O papel da razão

Conhecer é perceber o que acontece sempre ou freqüentemente. As coisas que acontecem de modo esporádico ou ao acaso, como o fato de uma pessoa ser baixa ou alta, ter cabelos castanhos ou escuros, nada disso é essencial. Aristóteles chama essas características de acidentes.
O erro dos sofistas (e de muita gente ainda hoje) é o de tomar algo acidental como sendo a essência. Através desse artifício, diziam que não se pode determinar quem é Sócrates, porque se Sócrates é músico, então não é filósofo, se é filósofo, então não é músico. Ora, Sócrates pode ser várias coisas sem que isso mude sua essência, ou seja, o fato de ser um animal racional como todos nós.
Mas como nós fazemos para conhecer a definição de algo e separar a essência dos acidentes? Aí está o papel da razão.
A razão abstrai, ou seja, classifica, separa e organiza os objetos segundo critérios. Observando os insetos, percebo que eles são muito diferentes uns dos outros, mas será que existe algo que todos tenham em comum que me permita classificar uma barata, um besouro ou um gafanhoto como insetos? Sim, há: todos têm seis pernas.
Se abstrairmos mais um pouco, perceberemos que os insetos são animais, como os peixes, as aves...
Ato ou potência
E poderíamos ir mais longe, separando o que é ser, do que não é. E aqui chegamos à outra grande contribuição de Aristóteles: se o ser é e o não-ser não é, como dizia Parmênides, então como é possível o movimento.
Segundo Aristóteles, as coisas podem estar em ato ou em potência. Por exemplo, uma semente é uma árvore em potência, mas não em ato. Quando germina, a semente torna-se árvore em ato. O movimento é a passagem do ato à potência e da potência ao ato.
Qual a causa?
Por outro lado, se as coisas mudassem completamente ao acaso, não poderíamos conhecê-las. Conhecer é saber qual a causa de algo. Se tenho uma dor de estômago, mas não sei a causa, também não posso tratar-me. Conhecendo a causa é possível saber não só o que a coisa é, mas o que se tornará no futuro. Pois, se determinado efeito se segue sempre de uma determinada causa, então podemos estabelecer leis e regras, tal como se opera nos vários ramos da ciência.
Existem quatro tipos de causas: a causa final, a causa eficiente, a causa formal e a causa material. Por exemplo, se examinarmos uma estátua, o mármore é a causa material, a causa eficiente é o escultor, a causa formal é o modelo que serviu de base para escultura e a causa final é o propósito, que pode ser vender a obra ou enfeitar a praça.
Há uma hierarquia entre as causas, sendo a causa final a mais importante. A ciência que estuda as causas últimas de tudo é chamada de filosofia. Por isso, a tradição costuma situar a filosofia como a ciência mais elevada ou mãe de todas as ciências, por ser o ramo do conhecimento que estuda as questões mais gerais e abstratas.

[1] *Josué Cândido da Silva é professor de filosofia da Universidade Estadual de Santa Cruz em Ilhéus (BA).

VÍDEO SOBRE TEORIA DO CONHECIMENTO

http://www.youtube.com/watch?v=1JfSkp7xJ24

O CONHECIMENTO - Teoria do Conhecimento


O CONHECIMENTO[1]


Dá-se o nome de conhecimento à relação que se estabelece entre um sujeito cognoscente (ou uma consciência) e um objeto. Assim, todo conhecimento pressupõe dois elementos: o sujeito que quer conhecer e o objeto a ser conhecido, que se apresentam frente a frente, dentro de uma relação. Isso equivale a dizer que o conhecimento é o ato, o processo pelo qual o sujeito se coloca no mundo e, com ele, estabelece uma ligação. Por outro lado, o mundo é o que torna possível o conhecimento ao se oferecer a um sujeito apto de conhecê-lo. Só há saber para o sujeito cognoscente se houver um mundo a conhecer, mundo este do qual ele é parte, uma vez que o próprio sujeito pode ser objeto de conhecimento.
Por extensão, dá-se também o nome de conhecimento ao saber acumulado pelo homem através das gerações. Nessa acepção, estamos tratando o conhecimento como produto da relação sujeito-objeto, produto que pode ser empregado e transmitido.
O conhecimento pode ser concreto, quando o sujeito estabelece uma relação com um objeto individual. Por exemplo, o conhecimento que temos de uma amigo determinado, com todas as suas características individuais. E pode ser abstrato quando estabelece uma relação com um objeto geral, universal.


[1] ARANHA, Maria Lucia de. Temas de Filosofia. Editora Moderna, São Paulo, 1992.